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Coyuntura
  A política externa brasileira não pode ser propriedade do grande empresariado
 

 

Fonte : REBRIP

Em artigo publicado no dia 24 de agosto, "O Futuro do Comércio", Rubens Barbosa, diplomata aposentado e assessor da FIESP, faz a sua já tradicional defesa dos interesses do grande empresariado que se sente dono do país e do qual é um dos porta-vozes. Ao constatar a ausência de propostas dos presidenciáveis de apoio aos exportadores, o autor defende a prioridade para a retomada de acordos de livre comércio com "parceiros relevantes". Constata que "falta ao setor de comércio exterior um grupo de pressão a seu favor", que o setor tem que se dispersar entre muitos interlocutores no governo, que a CAMEX não tem suficiente peso político, e portanto precisa ser fortalecida e vinculada diretamente ao presidente da República. Defende a criação de uma nova estrutura institucional para favorecer mais fortemente o setor exportador e propõe a modificação do "processo decisório com o reforço da CAMEX e convergência entre a agenda de negociações comerciais e as principais prioridades dos empresários".

A REBRIP é frontalmente contrária a este tipo de proposta. Os interesses deste setor dominaram historicamente a formação da política externa brasileira, privatizando tal política e colocando-a a serviço de seus interesses de lucro. Ao longo dos últimos anos novos atores passaram a disputar os rumos da política externa, visando democratizá-la e torná-la uma política pública que reflita os interesses múltiplos e conflitantes que existem na sociedade brasileira. Trabalhadores urbanos e rurais e suas organizações sindicais, camponeses, consumidores, ambientalistas, organizações que defendem direitos sociais e serviços públicos universais passaram a questionar as prioridades das grandes corporações que sempre orientaram a atuação externa do Brasil, e passaram a pressionar para que a agenda de direitos e de garantia das políticas de saúde, educação, serviços públicos, segurança e soberania alimentar passe a orientar a formulação da política externa, alem de defenderem uma agenda diferenciada de integração do Brasil com os países da região, e uma postura soberana do país na arena internacional.

Estas organizações e movimentos sociais defendem a criação de um espaço institucional onde estes interesses múltiplos e conflitantes possam ser processados, mediados e por fim traduzidos em posição externa. Este espaço - ou o que chamamos de Conselho de Políica Externa - reforçaria o papel do Ministério das Relações Exteriores como o locus de formulação e condução da política externa, e especialmente democratizaria as definições dessa política. O fortalecimento de um espaço como a CAMEX, absolutamente hegemonizado pelos interesses da grande indústria e do agronegócio, seria um retrocesso frente à disputa que se abriu na sociedade brasileira visando a democratização desta política e do Estado. Afinal, os empresários são um ator importante, mas não o único ator social interessado na definição dos rumos da política externa do país.



 
     
     
     
     
 
Enlazando Alternativas | Red Birregional UE - ALC | 2007
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